
Podem dizer que é o meio de transporte mais seguro. Não adianta. Eu tenho medo de avião e pronto. Meu medo não é aquele em que começo a suar frio antes mesmo de embarcar, como sente a Ana, do blog
Lide Temerária, que narrou tão bem(e de forma divertida)
aqui, um de seus sufocos em avião.
O meu, vem no momento exato em que a aeronave tira as rodas do chão. Aí, todas as vezes, sem exceção, eu me pergunto: "o que estou fazendo aqui nesta geringonça?".
Não fui sempre assim, acho que fiquei mais medrosa depois que fui mãe. Antes, tudo era festa.
Lá em milnovecentoseantigamente, estávamos eu, minha tia, minha prima e minha avó , num vôo que ia de Los Angeles (Califórnia), para Minneapólis (Minnesotta), com escala em Denver (No Colorado) nos EUA. Naquela época, ainda existia área de fumantes dentro dos aviões, e como minhas três acompanhantes fumavam e eu não, nós ficamos separadas.
Sentei entre um indiano, podre de fedorento que foi na janela, e um rapaz cego no assento do corredor.
O vôo transcorria normalmente, as aeromoças já estavam acabando de servir o jantar (comida mesmo, com talheres de aço e tudo...ainda podia), quando, de repente, caimos num vácuo tão grande que parecia uma montanha russa. Os alertas de emergência acenderam, as aeromoças foram sentar imediatamente e me vi com a comida na goela, ao lado de um indiano(que além de feder, dormia), e um ceguinho que não estava nem aí e devorava sua comida. O avião saculejava muito! E meu desespero não era medo dele cair e sim da comida do cego que quicava na mesinha e eu já imaginava qual seria o desfecho daquilo. Quando vi uma aeromoça passar pelo corredor, eu, que esqueci tudo que sabia de inglês até ali, a puxei pela saia e tentava dizer, por mímicas, que tinha um cego ao meu lado. Ela simplemente me disse que precisava se sentar e me pediu para ajudá-lo. Que??? Imagine aquele barulhão normal de avião, as pessoas agitadas falando alto, e eu tentando falar(sim, porque não dava pra fazer mímicas) para o cego, que eu ia pegar sua refeição e colocar na minha mesinha? Até o rapaz entender, foi tarde demais! Num dos solavancos, a bebida dele (não me lembro mais o que era), entornou toda em cima dele e lá fui eu com o guardanapo tentar ajudá-lo. Olha, quase preferi que o avião caísse (brincadeira). Aos trancos e barrancos, segurei nossas refeições, ajudei o cego a se limpar e quando o avião pousou para escala em Denver, a aeromoça veio me agradecer sorrindo!!
Tá bom, mas posso sentar ao lado da minha tia agora?