
Hoje é o Dia Mundial do Doador de Sangue.
Doar sangue sempre foi uma vontade minha, mas fui adiando, adiando, até que ano passado o filho de uma amiga minha precisou e fui ao Hemocentro tentar doar.
Eu já sabia que existem muitos pré-requisitos para ser um doador, mas não sabia que eram tantos.
Bem, furei meu dedo e esperei ser chamada para entrevista com o médico que iria avaliar se eu poderia ser doadora ou não.
Quando me chamou, foi logo dizendo que eu, provisoriamente, não poderia, por estar no limite para anemia (devido à menstruação), mas continuou fazendo o questionário.
Gente, sério, não sou nem um pouco envergonhada, mas eles perguntam TUDO sobre nossa vida. Sexual ou não.
Aí lá foi ele fazendo perguntas e eu respondendo, meio sem graça (e ele percebeu), até que chegou numa parte do questionário que, na percepção dele, ele já saberia as respostas e portanto não precisava me escutar. Ele ia lendo alto vários tópicos e respondendo "não, não, não..." até que chegou na pergunta:
- Já esteve em cadeia?
Resposta rápida "dele": "Não"
Olha, eu não poderia jamais perder a oportunidade de deixá-lo sem graça também (porque eu sabia que o deixaria), dei uma batitinha na mesa e falei "cadeia sim, doutor!"
Pausa dramática.
O rapaz foi levantando a cabeça em câmera lenta até olhar em meus olhos e perguntar com profundo pesar (ele até abaixou o tom de voz): "A senhora esteve presa no último ano?"
Então, pra descontrair, eu disse "Ah não! Já fazem 6 anos!".
Ele simplesmente perdeu o rebolado a partir daí.
No final das contas, não pude e nunca poderei doar porque tomo remédio pro coração.
Voltei frustrada pra casa e ele, certeza, correu com meu nome pro Google.
Se você pode, doe sangue!
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